O massacre na Universidade norte-americana Virginia Tech, que vitimou 33 pessoas na última semana, trouxe de volta à mente da população dos Estados Unidos, lembranças que todos gostariam de esquecer.
Tais recordações referem-se à tragédia de Columbine, em 1999, quando 12 alunos e um professor foram mortos por outros dois estudantes, que se suicidaram após cometerem o crime. Alguns estudiosos apontam a cultura da violência, promovida por jogos e pelo cinema, como possível causa de crimes como o ocorrido na semana que passou.
Outros responsabilizam o fácil acesso às armas e a falta de controle na aquisição destas, uma vez que, nos Estados Unidos, trata-se de um importante direto civil.
Passados 8 anos da matança em Columbine, poucos Estados norte-americanos tomaram providências em relação à posse de armamentos. Na verdade, apenas restringiram o número de armas que se poderia comprar.
Cho Seung-Hui, 23 anos, identificado como assassino da Virgínia Tech, era considerado solitário e sossegado por todos que o cercavam. Ninguém, principalmente a família, poderia supor que ele fosse capaz de tal atitude, até o momento em que assistiram ao vídeo deixado por ele. O avô de Cho Seung-Hui chegou a declarar que o neto “mereceu morrer”.
“Vocês me obrigaram a fazer isto”, disse o assassino em um dos vídeos que poderiam ser apontados como “justificativa” para o que aconteceu. O ódio nas palavras proferidas pelo estudante sul-coreano não deixa dúvidas a respeito da perturbação mental daquele jovem.
A expressão “América para os americanos” nunca fez tanto sentido como agora, principalmente se consideramos os Estados Unidos como uma sociedade capitalista em que o poder e o status social parecem estar acima de quaisquer outros valores.
Essa relação desigual de poder, principalmente no âmbito escolar, no caso específico da Universidade americana, chama-se Bullying – um termo sem tradução para o português, que caracteriza um conjunto de atitudes repetitivas, agressivas e intencionais que causam dor, angústia e sofrimento às vítimas.
Sabe-se que os Estados Unidos são considerados uma nação competitiva. Muito provavelmente, os preconceitos racial e sócio-cultural sofridos por Cho Seung-Hui, aliados à necessidade de ele ter que se mostrar um jovem igual aos outros – possam ser apontados como motivos que levaram o estudante a praticar o crime que chocou o mundo. Tarde demais. ▪
PEDRO BRAZ NETO


