Posts de Dezembro, 2007

h1

Os 25 são condenados na Itália

Dezembro 18, 2007

Carlo Giuliani assassinado 

O ano de 2001 na cidade italiana de Gênova foi junto com a batalha de Seattle em 1999 as maiores frentes sociais humanas, que ajudaram a trazer novos parâmetros para o ativismo global na luta contra a globalização, que é liderada pelos países ricos e controlada pelas grandes corporações capitalistas.
Tratava-se da reunião do G8, em que os líderes mundiais decidem os parâmetros econômicos que irão lhes beneficiar e prejudicar os países pobres. Que ajudam a massificar o mundo, tornado-o quase um admirável mundo novo, do Huxley. Mas que teve como resposta 300 mil manifestantes nas ruas genovesas clamando por liberdade. Parecia que naquele momento, uma massa global de ativistas, totalmente insatisfeitos com o rumo da bestialidade humana em que o planeta se perpetrava, mostrava suas caras e suas vozes, numa jihad libertária em prol da vida.
Vários fatos se sucederam naquele verão italiano. Carlo Giuliani, um anarquista de apenas 23 anos, foi assassinado com um tiro que lhe perfurou o olho, disparado por um policial da tropa especial italiana – Carabiniere.
A resposta da polícia não poderia ser mais brutal e desumana. Grupos de seis policias se aglomeravam para espancar quando um manifestante caia. Derrubavam manifestantes deficientes físicos de suas cadeiras de rodas e os espancavam com uma fúria de décadas de atraso, desde o fim do regime fascista de Mussolini.
Os vários manifestantes presos foram levados a um quartel e torturados desde a hora que chegaram, até a hora que foram liberados. Foram obrigados a cantar o Dulce, hino fascista de Mussolini.
No ultimo dia 14, foram julgados 25 manifestantes presentes naquela manifestação. 24 foram condenados, totalizando 108 anos de prisão, com acusações de danos ao patrimônio público e saques. Um deles pegou 5 por danificar o carro do policial que matou Carlo Giuliani.
Nenhum dos policiais que torturaram e espancaram os manifestantes foram presos. Nem mesmo o que matou um manifestante desarmado e pacífico.

Rodrigo Valle Barradas

h1

Mumia Abu-Jamal, uma história que deve ser contada

Dezembro 12, 2007

No dia 09 de dezembro de 1981, Wesley Cook, conhecido por Mumia Abu-Jamal, até então jornalista e locutor de um programa de rádio na Filadélfia foi preso e condenado à morte pelo assassinato do policial Daniel Faulkner.
Além da aberração judicial que são as condenações à morte tão comuns nos Estados Unidos, o caso apresentou dezenas de falhas e comprovações de que Mumia não havia matado ninguém. Todas as provas e fatos foram ignorados pelo Juiz Albert Sabo, que o sentenciou a morte.
O caso de Múmia é especial pelo fato de que há uma espantosa possibilidade de que ele tenha sido preso e condenado, por suas convicções libertárias e sua luta pelo direito dos negros e menos favorecidos.
No começo da década de 70, Mumia foi integrante do grupo revolucionário Panteras Negras, quando ainda tinha 15 anos. Chegou a ser da comissão de informações. Posteriormente já como jornalista, ele foi considerado o porta-voz dos negros e dos pobres da Filadélfia. O seu programa era conhecido como “A voz dos que não tem voz”.
Por seu engajamento político e libertário e a grande popularidade do seu programa, Mumia sofreu várias ameaças da polícia racista daquela cidade.
Há documentos que comprovam que o Governo Federal Americano assim como o Governo da Filadélfia seguiam os passos de Mumia desde de seus 14 anos, quando ingressou nos Panteras Negras. Existem mais de 800 páginas investigativas sobre Jamal. Naquela época, já era um peso que o Estado Americano queria extinguir.
No dia em que foi preso, Mumia que também era taxista, dirigia o seu veículo quando viu o policial Faulkner espancando o seu irmão, William Cook. No meio tempo em que Mumia desceu do carro a fim de mandar que o policial cessasse as agressões, um turbilhão de confusões se bateu no local. De repente tanto Mumia quanto Faulkner estavam no chão, baleados e sangrando. Várias testemunhas dizem ter visto outra pessoa fugindo. Várias disseram ter sido esse homem o autor dos disparos.
Quando outros policiais chegaram ao local ainda bateram várias vezes a cabeça de Mumia contra um poste na tentativa de mata-lo e dizer depois que os ferimentos haviam ocorridos na suposta luta com Faulkner .
No hospital, um dos policiais insistia em ficar com o pé em cima do dreno, fazendo com que ele sentisse dores insuportáveis. Um dos médicos disse que havia uma grande chance dele desenvolver uma pneumonia por causa das perfurações no pulmão e que devido ao estado em que se encontrava poderia vir a óbito.
Na prisão, fizeram questão de deixa-lo na cela mais úmida a fim de faze-lo contrair a doença.
No julgamento, Mumia pediu ao Juiz Sabo o direito de ele mesmo se defender e interrogar o júri e as testemunhas. O direito lhe foi negado pelo simples fato de sua aparência (Dreadlocks) não ser a mais convencional e afirmarem que ela impunha medo.
No fim das contas quem escolheu o júri foi o Juiz Sabo, que como naquela cidade todos sabem, é membro vitalício da Ordem Fraternal da Polícia (Fop). Sabo escolheu o júri a dedo. Primeiro só colocou pessoas favoráveis a pena de morte. Usou também a faculdade de recusa para excluir da lista 11 afro americanos. No final, apenas um dos jurados era negro.
Além do Juiz Sabo, cinco dos sete magistrados da Suprema Corte da Pensilvânia, que rechaçaram a apelação de Mumia, receberam contribuições ou o endosso da Fop para sua candidatura.

Testemunhas coagidas – É fato que a promotoria responsável pelo julgamento do caso, entrevistou 100 testemunhas. Mas só levou ao tribunal as poucas que aceitaram sustentar a história de Mumia ser o assassino. Como Jamal não tinha dinheiro, não pode contratar investigadores a fim de achar as várias outras testemunhas que haviam visto o outro homem fugindo.
Mesmo assim, antes do julgamento, três testemunhas afirmaram ter visto outra pessoa na cena. Mas a promotoria as coagiu e as ameaçou a fim de que falassem só o que eles queriam. Eram elas: Veronica Jones, Robert Chobert y Cynthia White.
Em 1996, Veronica Jones assumiu durante uma declaração sob juramento, que mentiu no ano de 1982 em relação ao fato. Disse que foi coagida por dois policiais que afirmaram que se ela dissesse ter visto outra pessoa no local, teria seus filhos arrancados por eles. Depois dessa declaração bombástica, a corte a prendeu devido a uma velha ordem de prisão.
A equipe de defesa apresentou a declaração de Verônica Jones à Suprema Corte da Pensilvânia, junto com uma moção para uma audiência. Mas a corte enviou a documentação para Sabo. O resultado não surpreendeu ninguém: Sabo disse que as novas provas não eram válidas e rechaçou a petição de um novo julgamento.
Robert Chobert, um taxista branco, disse para a policia na mesma noite, que o assassino era um homem grande e gordo e que havia fugido. Sem dúvida, Chobert mudou sua versão dos fatos durante o julgamento. O júri nunca foi informado de que ele estava em liberdade condicional por um delito grave, e que por essa razão era vulnerável as chantagens da policia.

Confissão falsa e falta de provas – Segundo a promotoria do caso, Mumia havia declarado no dia do incidente, já no hospital que era o autor do disparo que matara Faulkner. Porém o agente de polícia Gary Wakshul, o responsável pelo relatório do caso naquele dia, havia escrito que o homem negro baleado não havia feito nenhuma declaração. Durante o julgamento Sabo não só fez questão de omitir esse fato, como também mentiu afirmando que Wakshul estava viajando e não poderia depor em favor de Mumia, quando na verdade estava em casa.
Em relação às provas, apesar do júri afirmar que as provas iam de encontro a Mumia, a polícia não havia examinado a sua arma, nem as suas mãos para saber se haviam vestígios de pólvora. Não havia prova de que a arma que disparou contra Faulkner era a de Mumia, assim como a bala retirada em cirurgia havia sumido misteriosamente.

Mumia está no corredor da morte a mais de 20 anos.

“Imaginemos o caso de um acusado: não lhe permitem defender-se; as testemunhas de defesa são afastadas. Lhe imputam o homicídio de um policial e o juiz é membro vitalício da Ordem Fraternal da Policia (FOP). Depois, sua apelação é rechaçada numa corte onde cinco dos sete juizes comprovadamente receberam contribuições e o endosso da FOP para suas respectivas candidaturas. Logo em seguida inventam uma ‘confissão’. Para mim, não se trata de ‘imaginação’ o porque das coisas acontecerem dessa forma”. (Mumia Abu-Jamal)

“Eles não querem só minha morte. Eles querem o meu silêncio”. (Mumia Abu-Jamal)

Para mais informações:

http://www.freemumia.com/who.html

No link abaixo, um texto escrito por Jamal sobre a rebelião pupular em Oaxaca – México.

http://images.google.com.br/imgres?imgurl=http://www.geocities.com/projetoperiferia/mumia11.jpg&imgrefurl=http://www.geocities.com/projetoperiferia/pagina_de_maj.htm&h=368&w=227&sz=12&hl=pt-BR&start=10&tbnid=1QgCN2lfbdTStM:&tbnh=122&tbnw=75&prev=/images%3Fq%3Dmumia%2Babu-jamal%26gbv%3D2%26svnum%3D10%26hl%3Dpt-BR

Rodrigo Valle Barradas

h1

A grande mídia e a falácia do Jornalismo livre (Vídeo)

Dezembro 5, 2007

 

Não é de hoje que a grande mídia, permeia os jornais impressos, radiofônicos ou televisivos com a mais pura falácia do Jornalismo livre, imparcial. Sem querer parecer radical demais, a verdade é essa. Eles têm os rabos presos a bancos, políticos e grandes corporações do capital. Isso é fato.

Então, sabendo-se dessa verdade, é sempre bom desconfiar de tudo que se passa nos grandes jornais. Procure os veículos de mídia independentes. Não que tudo o que se passa na grande mídia seja mentira. Mas quando uma verdade vem a prejudicar alguém ou algo a quem o jornal deve ‘favores’ ou tem interesses em comum, com certeza meu amigo, o fato será distorcido.

Generalizações; ridicularizações de certos movimentos sociais, grupos ou pessoas à parte, a mídia vem há tempos manipulando o cidadão comum, a fim de esconder-lhes verdades e empurrar-lhes mentiras goela abaixo.

Qual deveria ser o maior objetivo do jornalismo? Acho que todos concordam que seria falar a verdade, não é mesmo? Mas isso na maioria das vezes não acontece. E quando alguém o faz, acaba sofrendo retaliações por parte do veículo, como aconteceu com a jornalista Salete Lemos, à época âncora na TV Cultura. Salete desceu a lenha nos bancos envolvidos no esquema de sonegação de extratos e enriquecimento ilícito, o ‘Plano Bresser’ e foi demitida por isso.

Até quando você irá acreditar na fábula do jornalismo livre, imparcial e ético dos grandes veículos?

Rodrigo Valle Barradas 

Veja o vídeo abaixo: